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Fabrício Morango
domingo, 22 de janeiro de 2012 - 15:32:01



Fabrício "Morango" Camões foi chamado em cima da hora para ter mais uma chance no UFC, e aproveitou com unhas e dentes. Mesmo a troca de adversário não intimidou o faixa-preta de Royler Gracie, que usou a arte suave para bater o então invicto Tom Hayden ainda no round inicial, com um mata-leão. De volta a San Diego, cidade onde mora nos Estados Unidos, Fabrício bateu um papo com a TATAME e analisou o triunfo, revelando que a estratégia inicial não era levar a luta para o chão, explicou porque não conseguiu bater o peso na primeira tentativa (ficou meio quilo acima), falou sobre a motivação extra ao ver a festa brasileira no UFC Rio e, entre outros assuntos, o desejo de voltar o quanto antes ao octagon.

 

O que achou da luta?

 

Eu estava treinando para outro adversário, o Reza Madadi, e colocaram outro, um cara duro e invicto, com a maioria das vitórias por finalização, mas graças a Deus o Jiu-Jitsu prevaleceu... Pude honrar a faixa-coral do mestre (Royler Gracie).

 

A estratégia era essa?

 

Na verdade, eu treinei para uma luta em pé, mas trocaram um wrestler destro por um canhoto mais rápido e leve... Quando começou a trocação, senti que estava mais pesado e resolvi botar o meu chão para funcionar. Todo mundo estava preocupado com o chão dele, mas sou faixa-preta do Royler e, no chão, é difícil me surpreender.

 

Pensou em não aceitar a luta por ser em cima da hora?

 

Eu fui chamado em cima da hora para substituir o Rafaello Oliveira (Trator), meu adversário mudou também, mas não podia recusar esse convite. Desde que deixei o UFC, trabalhei em prol desse retorno e tive a oportunidade mais cedo do que esperava, mas eu estava treinado.

 

Você suou para bater o peso, precisando de um tempo extra. Pesou o fato de ter sido chamado em cima da hora?

 

Eu vinha bem, baixando o peso... Recebi o chamado para a luta faltando uns 20 dias e estava bem pesado, com uns 84kg, e ainda teve natal e réveillon (risos), mas eu sempre faço uma sauna no dia da pesagem e no dia anterior, mas dessa vez não deu para fazer sauna porque ela ficava longe do hotel, então tentei perder peso na academia mesmo, mas ficou faltando meio quilo. Me deram duas horas e me levaram para a sauna, aí perdi o resto lá.

 

Qual foi o sabor da primeira vitória no UFC, após uma derrota e um empate na primeira passagem?

 

Significou o alívio de vencer e a concretização de todo um trabalho ao longo de todos esses anos, de estar ali dentro, vencendo... Não dá para descrever. Parece que estou vivendo um sonho desde que recebi a ligação do UFC para voltar. Estou feliz por conseguir vencer e da maneira que foi. Eu era o único brasileiro no card e isso aumentou a responsabilidade de representar bem, mas consegui a vitória para mim e pelo Brasil.

 

Sentiu um pouco de pressão por ser o único brasileiro?

 

Uma semana antes eu vi o José Aldo no UFC Rio e vi a empolgação de todo mundo com a vitória, e isso me deixou ainda mais animado. Coloquei uma responsabilidade muito grande nesse retorno, embora tenham me chamado só com 20 dias (de antecedência). Não parei de treinar um só minuto desde que saí do UFC, tinha que vencer para me firmar. O único resultado que interessava era a vitória. Graças a Deus deu tudo certo, quero agradecer a todos que torceram por mim e agradecer aos meus patrocinadores.

 

A noite só não foi tão perfeita porque tiveram muitas finalizações, então o bônus extra acabou não vindo, né?

 

É... A gente ficou assistindo às últimas lutas, mas, para ser sincero, eu daria a finalização da noite para o Josh Neer, pela guilhotina. Eu achei que, se tivesse que perder o bônus, seria para ele. Mas, independente disso, a vitória foi a recompensa que eu estava esperando. Se eu tiver a oportunidade de finalizar ou nocautear nos próximos eventos, eu vou.

 

Vai tirar umas férias agora?

 

Que nada, o trabalho aqui não para! Estou motivado para treinar, já quero estar na academia de novo amanhã. Avisei ao Joe Silva e Dana White para não me deixarem na prateleira porque estou sedento. Estou pronto para lutar a qualquer hora, contra qualquer um.

 

Qual o próximo passo?

 

Agora, vou ter um grande amigo lutando no UFC do dia 15 de fevereiro, o Bernardo Trekko. Começamos juntos na Gracie Tijuca. Montei um exército naquela época, tinha o Jorge Britto, Leopoldo Serão, Rodrigo Smurf, o Trekko... Tinha um time bem grande lá. Com a minha vinda para os Estados Unidos a rapaziada ficou meio dispersa, mas o Trekko foi para a Austrália e fez um cartel muito bom lá. 


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