Por Marcelo Barone
Foto Eduardo Ferreira
A migração de atletas do Jiu-Jitsu para o MMA está se tornando cada vez mais freqüente. E o próximo a tomar este rumo, possivelmente conciliando as duas modalidades, é o brasileiro Caio Terra. O peso galo, inclusive, já faz treinos de Muay Thai, de olho em sua transição para o esporte que mais cresce no planeta.
Em entrevista à TATAME, o faixa-preta, que, assim como as feras Nick Diaz, Jake Shields e Gilbert Melendez, é treinado por César Gracie, revelou que ainda não fez sparring, mas que não faltou vontade.
“Esse é o plano (lutar MMA). Não sei se vou abandonar o Jiu-Jitsu, pois acredito que eu possa conciliar ambos, mas já comecei a treinar em pé com um dos melhores, se não o melhor treinador de Muay Thai dos Estados Unidos. Quase todos os americanos campeões profissionais de Muay Thai treinam com ele, que é uma pessoa muito inteligente, que pensa como eu em vários aspectos das artes marciais. Apesar de já vir treinando um pouco desde o ano passado, até hoje não fiz um treino de sparring, mesmo querendo muito (risos). Faço muitos drillings e posições, ele foca muito na técnica e precisão dos movimentos”.
Na entrevista, Caio Terra mostrou-se descrente em relação à instituição do exame antidoping no Jiu-Jitsu, expectativa para 2012 e Campeonato Mundial.
Confira abaixo a entrevista completa:
Que planos está traçando para o ano?
Venho me dedicando ao máximo para mostrar que Jiu-Jitsu é técnica e não força ou preparo físico. Ano passado dei quase 70 seminários nos Estados Unidos e meu DVD foi um recorde de vendas. Este ano pretendo continuar e expandir o meu trabalho. Estou lançando uma série de DVDs (Modern Jiu-Jitsu) gravados por pessoas que já trabalharam com grandes artistas musicais e pretendo mostrar como o Jiu-Jitsu evoluiu começando pelos movimentos mais fundamentais. Pretendo continuar a dar bastantes seminários, mas pretendo expandi-los, tentar visitar um maior número de países e quase todos os continentes, e, claro, tentar lutar nos maiores campeonatos.
Vai disputar todas as competições de Jiu-Jitsu em 2012?
Na verdade eu venho de varias lesões que se acumularam com o tempo. Meus amigos e alunos sabem que eu não tenho objeções em treinar ou competir machucado e até doente, mas a situação se agravou muito com o tempo. Ano passado devo ter lutado mais do que treinado, tirando o mês de maio, que eu treinei para o Mundial. Esse ano eu até já treinei um pouco, semana passada treinei de segunda a sexta, algo que praticamente não fiz desde 2010. Não foram treinos sérios, mas já é um começo. Vou continuar dando meu máximo para poder voltar aos treinos, pois continuar evoluindo é a minha paixão pelo esporte.
O que fará de diferente para conquistar o próximo Mundial?
Não há muito a fazer, nos três anos que eu perdi na final foram resultados apertados e que na verdade poderiam ter ido para ambos os lados, já que quando eu lutei no Pan eu venci o mesmo oponente (Bruno Malfacine) que perdi no Mundial, quando estava em melhores condições. Infelizmente o Jiu-Jitsu é como qualquer outro esporte e nem sempre o melhor ganha, às vezes dependemos de outros fatores também. Eu tento não parar de evoluir, mesmo machucado sempre estudo o meu esporte e espero mostrar isso nas próximas competições que eu participar.
Há muitos atletas migrando para o MMA. Você cogita essa possibilidade?
Esse é o plano. Não sei se vou abandonar o Jiu-Jitsu, pois acredito que eu possa conciliar ambos, mas já comecei a treinar em pé com um dos melhores, se não o melhor treinador de Muay Thai dos Estados Unidos. Quase todos os americanos campeões profissionais de Muay Thai treinam com ele, que é uma pessoa muito inteligente, que pensa como eu em vários aspectos das artes marciais. Apesar de já vir treinando um pouco desde o ano passado, até hoje não fiz um treino de sparring, mesmo querendo muito (risos). Faço muitos drillings e posições, ele foca muito na técnica e precisão dos movimentos.
Como é a sua relação com os atletas do UFC que treinam na mesma academia que você, como Jake Shields, irmãos Diaz e Gilbert Melendez?
Como eu não venho treinando há pouco mais de um ano, perdemos um pouco daquele contato semanal, mas quando eu estiver com a minha parte em pé em dia com certeza estaremos mais perto novamente. Agora eu quero é distância porque treinar MMA com eles hoje em dia é suicídio (risos).
A CBJJ deu sinal verde para os exames antidoping em meados do ano passado, mas até agora, nada mudou. Como vê essa situação?
Infelizmente não acredito em nenhuma mudança tão cedo. Eu tive esperanças no começo pela conversa que eu tive com eles, mas tudo o que prometeram até agora não teve nenhum outro sinal. É complicado fazer algo quando a maioria dos campeões faz uso de substâncias irregulares. Os poucos fãs que o Jiu-Jitsu tem seriam reduzidos para um número ainda menor.